Dia Nacional de Combate ao Câncer: OMS Alerta para Aumento de 77% na Incidência Global até 2050
Simone Souza Lopes – Presidente da AMUCC – 27/11/2025
Neste 27 de novembro, Dia Nacional de Combate ao Câncer, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emite um alerta crucial que ressalta a urgência de fortalecer as políticas de prevenção e controle da doença. As projeções da OMS, divulgadas em um seminário na Fiocruz, indicam um aumento vertiginoso nos casos globais, com um impacto severo em países em desenvolvimento, incluindo o Brasil.
A incidência de novos casos de câncer no mundo passará de 20 milhões em 2022 para 35,3 milhões em 2050, um crescimento de 77%.
Projeções e Desigualdade na Distribuição
Os dados foram apresentados pela diretora da Agência Internacional para Pesquisa de Câncer da OMS, Elisabete Weiderpass, durante o seminário Controle do Câncer no século XXI: desafios globais e soluções locais, promovido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
A maior preocupação reside na desigualdade da distribuição da doença. Os aumentos mais expressivos são previstos para os países de baixa e média renda, frequentemente despreparados para absorver essa “explosão de casos”.
- Atualmente, são registradas 10 milhões de mortes por câncer no mundo por ano.
- O câncer de pulmão foi o mais diagnosticado (2,5 milhões de novos casos) e a principal causa de mortalidade (1,8 milhão de mortes).
- A Ásia concentra cerca de 50% dos casos e 56% das mortes por câncer no mundo, o que aponta para falhas estruturais críticas em prevenção e tratamento.
O custo da perda de produtividade por morte prematura (entre 15 e 64 anos) é de US$ 566 bilhões globalmente, equivalente a 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.
O Impacto no Brasil
As projeções para o Brasil exigem atenção imediata das autoridades de saúde:
- O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima 700 mil novos casos por ano no triênio 2023-2025.
- A OMS projeta que o número de novos casos no país chegará a 1,150 milhão até 2050, um aumento de 83% em relação a 2022.
- O total de mortes deve dobrar, atingindo 554 mil até 2050.
“Sem dúvida, isso vai estrangular o sistema de saúde e tem que ser discutido agora, porque ações têm que ser tomadas agora para evitar um problema maior de manejamento e controle de todos esses casos,” destacou Elisabete Weiderpass.
Foco no Controle e Políticas Inclusivas
O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou a importância da cooperação para o acesso às novas tecnologias e o enfrentamento aos produtos nocivos à saúde, como o tabaco e o consumo de alimentos ultraprocessados.
O diretor-geral do Inca, Roberto Gil, defendeu que, diante do envelhecimento populacional, o câncer deve ser tratado como uma doença crônica que precisa de controle, e não apenas “combate”. Ele alertou que as populações vulneráveis no país estão sendo negligenciadas, influenciadas por fatores como gênero, raça e econômicos.
Para Mario Moreira, presidente da Fiocruz, o câncer é fruto de uma determinação social, e o Brasil precisa desenhar “políticas públicas inclusivas” para lidar com sua profunda desigualdade.
Fonte: Agência Brasil, texto original de Ana Cristina Campos.
A AMUCC aproveita esta data para reforçar seu compromisso na luta pelo acesso universal ao diagnóstico, tratamento e prevenção.
O Dia Nacional de Combate ao Câncer serve como um lembrete anual e crucial da responsabilidade coletiva em promover a saúde e reduzir os fatores de risco, essenciais para mudar o cenário projetado para 2050.
Deixe seu Comentário
Atenção: Os comentários abaixo são de inteira responsabilidade de seus respectivos autores e não representam, necessariamente, a opinião da AMUCC