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Com terapias modernas, câncer caminha para se tornar uma doença crônica controlável

Com terapias modernas, câncer caminha para se tornar uma doença crônica controlável

Avanços na medicina, maior acesso ao diagnóstico precoce e tratamentos personalizados estão mudando a forma como o câncer é enfrentado. Para especialistas, a doença deixa de ser vista como sentença de morte e passa a ser encarada como uma condição crônica e controlável, semelhante ao que ocorre com o HIV ou a diabetes.

Izabella Barroso, hoje com 34 anos, é um exemplo disso. No final de 2022, ela começou a notar sangramentos esporádicos nas fezes. Saudável, ativa e sem histórico de doenças, foi inicialmente diagnosticada com hemorroidas. No entanto, ao buscar uma segunda opinião, realizou uma retossigmoidoscopia e recebeu um diagnóstico direto: neoplasia maligna.

“Foi devastador, mas o diagnóstico precoce me salvou. Hoje, estou em remissão”, relata Izabella. Após duas cirurgias — uma para retirada do tumor e outra para religação do intestino — ela não precisou de quimioterapia nem radioterapia.

Doença crônica: o que isso significa?

Transformar o câncer em uma condição crônica significa permitir que o paciente conviva com a doença por muitos anos, com boa qualidade de vida. Segundo o oncologista Stephen Stefani, da Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, isso já é realidade para alguns tipos de câncer.

Esse novo cenário é sustentado por três pilares:

  • Diagnóstico precoce: quanto antes o tumor é identificado, maiores as chances de sucesso no tratamento.
  • Terapias personalizadas: medicamentos voltados para mutações específicas, com menos efeitos colaterais.
  • Estilo de vida saudável: atividades físicas, alimentação equilibrada e acompanhamento médico contínuo reduzem o risco de recidivas.

Tratamentos cada vez mais personalizados

Na oncologia, o foco atual está na individualização dos tratamentos, com base nas características moleculares do tumor — e não apenas na sua localização no corpo. Stefani explica: “Hoje olhamos para a mutação do tumor para definir a terapia, não apenas para o órgão afetado”.

Medicamentos como Larotrectinibe (para fusão NTRK), Pembrolizumabe (alta carga mutacional) e Enhertu (HER2 positivo) já estão disponíveis no Brasil e representam esse avanço.

Além da quimioterapia e da radioterapia, surgem outras terapias com resultados promissores:

  • Imunoterapia: estimula o sistema imunológico a combater as células tumorais.
  • Terapias-alvo: inibem mutações específicas no câncer.
  • Terapias conjugadas: combinam anticorpos com quimioterapia para ação mais precisa.
  • Terapias teranósticas: unem diagnóstico por imagem e radiofármacos no tratamento.
  • CAR-T Cell: manipula células de defesa do próprio paciente para combater a doença (ainda restrita a alguns tipos de câncer).

Uma inovação recente é o uso de doses ultrabaixas de imunoterapia, com menos toxicidade e custos menores — aspecto relevante em países como o Brasil, onde o acesso à saúde ainda é desigual.

Casos em jovens crescem

O câncer também tem atingido cada vez mais pessoas jovens. Entre 1990 e 2019, os casos em pessoas com menos de 50 anos cresceram 79% no mundo. Fatores ambientais e comportamentais, como sedentarismo, obesidade, má alimentação e poluição, estão entre as possíveis causas.

“Muitos pacientes não têm histórico familiar da doença, o que reforça a importância do ambiente e do estilo de vida”, alerta Rodrigo Nascimento Pinheiro, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica.

Vladmir Cordeiro de Lima, pesquisador do A.C. Camargo Cancer Center, acrescenta que o envelhecimento natural também é fator determinante: “Nosso corpo comete erros na divisão celular com o tempo. O câncer é parte do envelhecimento, e não será completamente erradicado”.

Desigualdade no acesso ao tratamento

Apesar dos avanços, o acesso às novas terapias ainda é limitado, especialmente na rede pública. “A maior parte desses tratamentos está disponível apenas na saúde suplementar. No SUS, muitas dessas alternativas ainda não fazem parte da rotina”, diz Carlos Donnarumma, gerente nacional de oncologia da Rede Total Care.

No Brasil, o câncer é a segunda principal causa de morte e tende a se tornar a primeira nos próximos anos. Mesmo assim, apenas 4% do orçamento federal da saúde é destinado à oncologia. “É um investimento pequeno diante da gravidade do problema, e os recursos ainda são mal distribuídos”, afirma Pinheiro.

“Não sou mais a mesma Izabella”

Dois anos após o diagnóstico, Izabella vive em remissão. Ainda realiza exames de rotina, segue acompanhamento médico e psicológico, e está reconstruindo sua vida. “Tem dias difíceis, mas estou viva e cheia de planos.”

Ela também passou por mudanças pessoais: foi abandonada pela namorada durante o tratamento, mas hoje vive um novo relacionamento e planeja morar com a companheira. “A Izabella de antes não existe mais. Mas a de agora está viva. E cheia de sonhos.”

Fonte: g1.globo.com

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