AMUCC participa do evento FEMINA 2026 e reforça agenda de advocacy e políticas públicas para o câncer de mama
A Associação Brasileira de Portadores de Câncer (AMUCC) participou do FEMINA 2026 – Fórum Sul-Brasileiro de Estudos e Inovações em Oncologia Mamária, um dos principais encontros da região voltados ao debate científico, institucional e social sobre o câncer de mama.
O evento reuniu especialistas, gestores públicos, pesquisadores, organizações da sociedade civil e representantes de pacientes para discutir inovações no diagnóstico, acesso ao tratamento e construção de políticas públicas para o câncer.
A participação da AMUCC foi marcada por forte mobilização de voluntários na plateia e pela presença da past president da entidade, Simone Lopes, que participou como debatedora em dois painéis estratégicos do fórum.
Evento fortalece diálogo entre ciência, gestão pública e sociedade civil
O FEMINA vem se consolidando como um importante espaço de diálogo entre comunidade científica, gestores do sistema de saúde e organizações da sociedade civil, com foco no enfrentamento do câncer de mama.
A programação abordou temas centrais da oncologia atual, incluindo:
- rastreamento do câncer de mama
- inovação tecnológica no diagnóstico
- acesso ao tratamento no SUS
- gestão da jornada da paciente
- advocacy e participação social na construção de políticas públicas
Para organizações do terceiro setor, como a AMUCC, a participação em eventos dessa natureza é fundamental para levar a perspectiva das pacientes para o centro das decisões sobre saúde pública.
Panorama do câncer de mama em Santa Catarina
Os debates do FEMINA também reforçaram a urgência de melhorar a gestão da jornada oncológica no estado.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o biênio 2025–2026, Santa Catarina deverá registrar cerca de:
- 3.860 novos casos de câncer de mama por ano
- 340 casos anuais em Florianópolis
Apesar de avanços na assistência oncológica, ainda existem gargalos importantes no acesso ao diagnóstico.
Fila para mamografia
Dados recentes do sistema de regulação indicam que Santa Catarina chegou a registrar mais de 17 mil mulheres aguardando mamografia, com tempo médio de espera de 36 dias apenas para o exame inicial.
Lei dos 60 dias
O estado avançou no cumprimento da Lei nº 12.732/2012, conhecida como Lei dos 60 dias, que estabelece prazo máximo entre diagnóstico e início do tratamento.
Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde, o índice de cirurgias oncológicas realizadas dentro do prazo subiu de 48% para 80,7%.
Gargalo entre mamografia e biópsia
Mesmo com esse avanço, especialistas apontam que o maior problema ocorre antes da confirmação diagnóstica, no período entre a mamografia suspeita e a realização da biópsia.
Esse intervalo pode atrasar significativamente o início do tratamento.
Déficit de especialistas
Outro desafio apontado durante os debates é o número reduzido de mastologistas no estado, o que impacta diretamente na capacidade de diagnóstico e acompanhamento das pacientes.
AMUCC participa de dois painéis estratégicos
Durante o FEMINA 2026, a past president da AMUCC, Simone Lopes, participou como debatedora em dois painéis que discutiram desafios estruturais do sistema de saúde.

Rastreamento personalizado: uma realidade para o SUS?
No painel “Rastreamento Personalizado: uma realidade para o SUS?”, Simone Lopes destacou que o modelo atual de rastreamento baseado apenas na faixa etária de 50 a 69 anos não contempla mulheres com risco elevado para câncer de mama.
Segundo ela, fatores como:
- histórico familiar de câncer
- mutações genéticas como BRCA
- alta densidade mamária
- histórico de câncer de ovário na família
precisam ser considerados para um rastreamento mais preciso e justo.
A proposta defendida pela AMUCC é incorporar protocolos de estratificação de risco no sistema e-SUS, permitindo que médicos da atenção primária identifiquem mulheres de maior risco logo nas primeiras consultas.
Além de ampliar a equidade no acesso ao diagnóstico, o rastreamento personalizado também contribui para reduzir custos do sistema de saúde, ao evitar tratamentos complexos em estágios avançados da doença.
Atrasos no SUS geram “dano biológico”
No painel “Obstáculos de Acesso no SUS: da Mamografia ao Tratamento”, Simone Lopes chamou atenção para os impactos clínicos do atraso no diagnóstico.
Segundo ela, o atraso na jornada da paciente representa um verdadeiro “dano biológico”, pois permite que o tumor evolua enquanto a paciente aguarda exames e encaminhamentos.
Grande parte dos problemas ocorre no chamado pré-diagnóstico, ou seja, no período entre o exame suspeito e a confirmação da doença.
Propostas da AMUCC para melhorar o acesso ao diagnóstico
A AMUCC tem um posicionamento bem claro com propostas concretas para melhorar a gestão da jornada oncológica no SUS.

Navegação de pacientes
Uma das propostas é a criação da função de Navegador Oncológico, profissional responsável por acompanhar a paciente desde o rastreamento até o início do tratamento.
A entidade propõe iniciar um projeto piloto em Florianópolis, priorizando casos classificados como BI-RADS 4 ou 5, que indicam alta suspeita de câncer.
Regulação inteligente
Outra proposta é aprimorar a regulação do sistema para que exames com suspeita elevada tenham prioridade automática no SISREG, evitando que casos urgentes entrem em filas comuns.
Voucher de diagnóstico
A AMUCC também defende que, quando o sistema público não conseguir realizar a biópsia dentro do prazo legal de 30 dias, o estado possa emitir um voucher de diagnóstico para realização do exame em serviços privados conveniados.
Essa estratégia evitaria atrasos que podem comprometer o prognóstico das pacientes.
Transparência e controle social
Como parte de sua atuação em advocacy, a AMUCC também tem propostas estruturantes para fortalecer a política oncológica no estado.
Entre elas:
Painel Estadual Oncológico
Criação de um sistema público com dados atualizados sobre:
- tempo médio entre mamografia e biópsia
- tempo entre diagnóstico e início do tratamento
Observatório Estadual do Tempo Oncológico
A AMUCC pretende atuar na criação de um observatório para monitorar indicadores da jornada da paciente com câncer no estado.
A iniciativa busca fortalecer a transparência, o controle social e a formulação de políticas públicas baseadas em dados.
Mobilização da sociedade civil
A presença de voluntários da AMUCC no FEMINA 2026 reforçou o papel da sociedade civil na defesa dos direitos das pacientes.
Organizações como a AMUCC e a rede FEMANA – Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama atuam para ampliar o debate público sobre o câncer de mama e garantir que as políticas de saúde considerem as necessidades reais das pacientes.

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